terça-feira, 23 de novembro de 2010

so take the photographs


Eu andava na praça tranquilamente. A câmera, minha filhota, em mãos. Era um dos meus passatempos favoritos fotografar as pessoas. Os risos e as brincadeiras das crianças, as mãos dadas dos namorados, os cochichos das amigas, a ressaca de um bêbado deitado num banco... Cada fotografia guarda uma história, por isso gosto de fazer esse mosaico de histórias que me fará lembrar da minha própria quando eu for adulta.

Num banco um pouco distante, um carinha estava escrevendo em seu caderno, ou desenhando. Com o zoom da minha Canon, consegui ver seu rosto. Era uma face peculiarmente bela. O cabelo castanho bagunçado emoldurava ternamente a tez alva do garoto. Diminuí um pouco o zoom e tirei algumas fotos dele.

Depois de uma quantidade de fotografias que chamo de razoável, resolvi ir embora. Mas no segundo seguinte, meus pés estavam me levando em direção ao menino. Fiquei curiosa a respeito do que ele estava fazendo e também achava injusto não avisá-lo sobre as fotos que tirei.
Quando cheguei perto, ele fechou o caderno e levantou o olhar para mim. Resolvi sentar-me ao seu lado:

- Oi.

- É, oi. - ele respondeu timidamente.

- Escuta, eu achei interessante você e seu caderno, então te fotografei. Tudo bem pra você?

- Claro. Posso ver as fotos?

- Pode sim. - liguei as câmeras e coloquei nas tais fotos. Havia umas doze só dele.

- Ficaram bem legais. Mas é meio estranho me ver assim. Se fosse outro cara talvez tivesse ficado melhor.

- Não, eu achei que ficou bom assim, sabe? As fotografias ficaram autênticas.

- É, ficaram.

- Desculpe a pergunta, mas o que você fazia com o caderno?

- Eu estava desenhando, mas não ficou muito bom.

- Por favor, me deixe ver?

- Tem certeza?

- Tenho. Não pode ser tão ruim. - sorri levemente. Ele abriu o caderno de um jeito delicado e lá estava o desenho. Era eu, fotografando. O desenho mais incrível que eu já vi na minha vida, comigo nele.

- Obrigada por ter me desenhado. - eu estava meio corada.

- Obrigado por ter me fotografado. - ele sorriu de volta. - Mas eu tenho que ir agora.

- Qual é o seu nome?

- Simon. E o seu?

- Elisa.

- Pode me passar seu e-mail? Eu te mando o desenho.

- E eu te mando as fotos. - Anotei meu e-mail numa folha em branco do caderno. Ele anotou em outro canto e rasgou o papel, me entregando o pedaço que tinha o endereço eletrônico.

- A gente se vê, então. - me despedi.

- É, a gente se vê.
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Ooi! Esse texto ficou beeem piegas, né? Mas eu achei uma história fofinha. Vocês imaginem o que acontece depois. Essa história leva a finais múltiplos e eu acho que a maioria aposta entre um romance entre os dois personagens, mas eu particularmente, ao escrever, imaginei apenas os dois virando grandes amigos.
Amizades surgem normalmente da existência de amigos em comum, ou de convivência, ou na escola, ou no trabalho. É meio difícil uma amizade surgir assim. E inusitado. No entanto, seria bastante interessante se conhecêssemos amigos de um jeito diferente. =)

4 comentários:

Deveria estar estudando disse...

Linduquinha, obrigada pelo carinho de sempre.
bjks.
Mel

Anônimo disse...

Oi sou nova aqui te conheci no blog da Mel achei linda a estória e se fosse um livro com certeza iria ler
Bjs rose -jp

. lela disse...

Mel, por nada! Você merece. Além de ter muito bom gosto é uma ótima pessoa. Eu é que agradeço por ter passado no meu blog.
E Rose, obrigada por ter gostado da história. Agora, sobre escrever livros, não sei se dá pra mim. Eu prefiro escrever histórias soltas mesmos.
begs :)

A. Aimée disse...

Oi, Lela!
Lindo seu blog! Adorei!
Vc escreve bem!

Obrigada pela visita!

Beijinho!